A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que sua estratégia para a propaganda eleitoral televisiva será mais enxuta, priorizando um número reduzido de peças publicitárias.
A equipe comunicacional pretende apresentar um programa de TV menos sofisticado do que o elaborado pela campanha do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), refletindo diferenças de recursos e de tempo de veiculação.
O horário eleitoral gratuito tem início na próxima sexta‑feira, dia 28, e a campanha de Flávio avalia que o PT contará com maior estrutura de produção, beneficiado pelo tempo de televisão superior que lhe foi destinado.
Distribuição de tempo no horário gratuito
O Tribunal Superior Eleitoral definiu, em 20 de agosto, a divisão do tempo gratuito entre os candidatos. Lula terá 5 minutos e 31 segundos; Flávio Bolsonaro, 4 minutos e 20 segundos; Ronaldo Caiado, 2 minutos e 2 segundos; e Augusto Cury, 35 segundos. Os candidatos Romeu Zema e Renan Santos não recebem tempo, pois seus partidos não atingiram a representatividade mínima exigida.
Essa diferença de tempo é esperada refletir diretamente na quantidade de cenas exibidas. Enquanto a bancada do PT poderia inserir cerca de duas‑centas cenas em seus cinco minutos, a campanha de Flávio deve trabalhar com aproximadamente 30 cenas dentro de seu intervalo.
Se o PT tem um tempo de televisão de 5 minutos, eles vão colocar umas 200 cenas no ar. O Flávio deve trabalhar com umas 30 cenas. É o que dá para fazer em duas ou três semanas
A limitação de prazo para a produção também impõe restrições. A nova equipe de marketing, liderada pelo marqueteiro Duda Lima, está há cerca de três semanas no cargo, após a saída de Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari.
Reestruturação da equipe de marketing
Essa troca representa a segunda substituição de profissionais responsáveis pelo marketing da candidatura em menos de três meses. No fim de maio, Fischer e Oltramari haviam substituído Marcello Lopes, conhecido como Marcellão.
A mudança ocorreu logo após a crise desencadeada pela divulgação de conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex‑controlador do Banco Master, que gerou instabilidade na equipe de comunicação.
Com menos tempo de preparação e um número reduzido de cenas, a campanha de Flávio pretende concentrar sua mensagem em um número menor de peças ao longo do período eleitoral. Em paralelo, uma pesquisa recente da BTG/Nexus apontou que o senador teria vantagem sobre Lula, indicando um possível efeito da nova estratégia.



